É verdade, Afonso Cruz já fabricou cerveja na casa-de-banho do apartamento que habitava em Lisboa. Calma, essa metodologia já foi melhorada. E aprimorada. A relação com a cerveja dura há quase duas décadas e faz-se de um misto de razões: por um lado, o gosto (natural) pela bebida. Por outro, a influência de uma leitura. Através de um livro escrito por um monge, algures entre o renascimento e o iluminismo, Afonso Cruz chegou à conclusão de que a cerveja e o seu fabrico podem ser uma escola de filosofia, carregada de metáforas.

Hoje, sente-se mais satisfeito com a cerveja que produz no Alentejo e continua a explorar o caráter alegórico da bebida, razão pela qual já a chamou para o título de um dos seus romances. Tudo passa pela ideia de transformação, essencial para a narrativa de Jesus Cristo Bebia Cerveja, pela noção de ressurreição. De alguma forma é preciso que o cereal morra para poder renascer sob a forma de bebida duradoura. Mais duradoura do que o próprio cereal ou o pão, por exemplo, também ele carregado de significados.